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Praia da Tocha vive crise nunca antes vista
| Praia da Tocha vive crise nunca antes vista |
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| Escrito por Regina Bilro | |
| 09-Ago-2007 | |
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“Este ano é para esquecer” – foi esta a frase mais ouvida pelo “Independente” no final da última semana, aquando uma deslocação à Praia da Tocha para conhecimento da forma como a época balnear está a correr. Comerciantes e proprietários de casas para alugar são peremptórios em afirmar que este é o pior ano de que há memória na Praia da Tocha. Segundo eles, os veraneantes são “poucos” e “de perto”, preferindo deslocar-se diariamente de casa para a praia e da praia para casa de automóvel em vez de ficarem em espaço alugado. O resultado é existirem este ano muitas casas “por estrear”. “Ti’ Alzira”, como é conhecida na localidade, é proprietária de três habitações para alugar. Como outras pessoas abordadas pelo nosso jornal, este ano não conseguiu alugar nenhuma delas. “Não apareceu ninguém”, afirmou, pondo “as culpas” da situação à notícia que circulou de que o Parque de Campismo não ia abrir este ano. Segundo ela, é frequente famílias e amigos fazem férias juntos mas dividem-se na altura de pernoitar. Os mais jovens preferem acampar, enquanto que os mais velhos ou os que simplesmente não gostam de o fazer, ficam numa casa alugada. Com o anúncio de que o parque de campismo não ia abrir, os grupos procuraram naturalmente outras praias com aquele equipamento. Notícia da abertura chegou tarde“A praia como eu a conheci e como ela está... É uma pena estarmos 10 meses à espera de dois e acontecer o que aconteceu este ano”, declarou uma comerciante que não se quis identificar. Estando o seu estabelecimento situado próximo do parque de campismo, recebia diariamente inúmeros campistas, muitos deles clientes habituais ao longo dos anos. Entre eles seis casais belgas que frequentavam a Praia da Tocha desde há 18 anos. Este ano escolheram uma praia mais a sul. Da mesma forma, o Parque de Campismo da Praia da Tocha recebia anualmente um grupo de crianças do Colégio de Santo António que, este ano, face à notícia de que aquele equipamento se manteria fechado, acabou por se instalar na Praia de Mira. “Primeiro disseram que o Parque ia fechar. Quando veio a notícia de que afinal abria, já era tarde. Só se soube que abria poucos dias antes de abrir. Tanta gentinha que me ligou para aí a perguntar se o parque sempre fechava e eu dizia que sim...”, exclamou. Segundo esta comerciante, a sua “sorte” é ser proprietária de um estabelecimento que mantém aberto durante todo o ano. Em pior situação estarão todos os outros com funcionamento sazonal. “Nunca esteve assim”“Há 30 anos que aqui estou e nunca vi nada assim. Dizem que é do tempo ser de crise, mas não é só isso...”, defendeu outra comerciante. Em anos anteriores, o seu estabelecimento chegou a vender cerca de cinco quilos de café por dia, em bicas. Este ano, “era uma sorte se vendesse metade!”, declarou ao “Independente”. Há mais de quatro décadas que uma comerciante de frutas e legumes durante todo o ano se instala no mercado da Praia da Tocha a comercializar os mesmos produtos nos meses de Julho, Agosto e inícios de Setembro. Apesar de já no ano passado, o negócio não ter corrido como estava à espera, nada se assemelha ao que está a acontecer este ano, segundo ela. “Isto nunca esteve assim”, afirmou, acrescentando que ainda não tinha vendido “praticamente nada”, apesar da variedade e quantidade dos produtos apresentados na sua banca. Até ao final daquele dia, o calor teria feito com que muitos deles deixassem de apresentar condições para ser vendidos. Apesar da época balnear ir “apenas a meio”, os “prejuízos” que afirma estar a ter são de tal maneira que a comerciante diz estar já a fazer “contas à vida” para avaliar se vale a pena manter a banca até meados de Setembro, como seria habitual. |
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| Actualizado em ( 09-Ago-2007 ) |
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