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Independente de Cantanhede

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Juan Daniel Domingues – Recebi convite de um curador para expor em Nova Iorque Imprimir e-mail
Escrito por Cátia Figueiredo   
13-Jan-2010

Juan Daniel Domingos está em vésperas de expor pela primeira vez o seu trabalho além-fronteiras. Recebeu recentemente um convite endereçado pelo curador da “Ico Galery”, na zona de Nova Iorque, onde, se tudo correr como planeado, deverá ter duas obras expostas já a partir do próximo mês de fevereiro.

Aguarda também o resultado de um prémio Internacional de Pintura de Veneza, numa altura em que está em destaque na exposição do “1º Prémio Jovem de Artes Plásticas”.

O hoje cantanhedense nasceu na Venezuela e chegou a Portugal com seis/sete anos. Foi ainda lá fora que os pais começaram a reconhecer nele uma facilidade no manuseamento de materiais como plasticinas e barros.

O jovem recorda uma professora do nono que lhe foi alimentando o gosto, dando-lhe material de pesquisa e encaminhando-o para esta área. Começou por imitar as técnicas e os trabalhos dos pintores clássicos. Acabou por seguir a Licenciatura em Pintura, na ARCA (Coimbra), na procura do seu próprio estilo.

Aos 28 anos , confessa ter sido desde sempre motivado por música, literatura e história. Ainda sonhou ser Engenheiro Civil, mas prefere “as construções com formas, tintas e lápis, do que com formas matemáticas”

O seu trabalho já correu o país, desde o norte, até Lisboa. Considera que “um artista deve-se assumir como responsável para ajudar no processo de formação das pessoas, porque ele é que representa a sociedade e a cultura.”

Juan Domingues aprecia os artista conceituados, mas também não esconde a admiração pelo talento de alguns que só agora começam.

Quando é que a arte passa de uma simples tendência para algo sério?

Acho que foi natural. Sempre me disseram desde muito novo para seguir aquilo que mais gosto. E eu, com a pintura, é algo que não em custa. Claro que custa, como tudo, mas quando concluo um trabalho, parece que aquelas horas não existiam, foi como quem viu um filme, e aconteceu de uma forma natural. Foi o alimentar de um gosto. Depois há sempre os ídolos. Nós vamos também à procura de nos parecermos com esses ídolos.

Diz que a arte o ajudou a compreender a si próprio. Em que medida?

Quando estamos a lidar um tema qualquer, se for pessoal, e tem que ser pessoal porque ligo muito o tema a mim próprio, mesmo que seja um tema encomendado, vou racionar aquele tema dentro da minha  personalidade. Porque se não também não fazia sentido.

O que mais gosta de pintar?

A anatomia humana. São os tons, porque nós somos uns camaleões, mesmo com a roupa que vestimos. Pelos tons, pela expressão... Estamos em contacto tão direto com as pessoas e por vezes não nos conseguimos lembrar – quem passa pelas artes nota isso – quando estamos a fazer um retrato de cabeça, é muito difícil lembrarmo-nos daquela pessoa. Sabemos que ela tem aquele traço, aquele sorriso, aquele olhar, mas é o além daquilo que é a expressão física. A piada disso é aquela parte que está muito camuflada por detrás das formas e cores. A meu ver, acho que são mais importantes na representação da figura humana. É aquilo que distingue a figura física cromática das outras todas. Toda a gente é igual, toda a gente tem uma nariz, dois olhos e uma boca, existem tanto sósias, como é que se há-de criar um clique?

E como é que se cria esse clique, como é que se capta essa diferença?

É precioso pensar muito na situação, na acção-reacão que temos com aquela personalidade. Já dizia em Dorian Gray, Oscar Wilde, que o retrato que o artista faz, nunca retrata quem ele está a retratar, é o retrato do artista.

Gosta de explorar a cor?

Passei por várias fases. Passei por uma fase em que não me interessava nada a cor, era muito direto, com o contraste branco-preto. Só lá estavam os tons intermédios porque não os conseguia tirar. Acho que era uma fase de iniciação, em que dava muito valor à simplicidade da forma. Depois passei por uma fase em que veio a experimentação cromática. Essa fase foi hiper-colorida, um verdadeiro arco-íris. Depois passei por uma fase mais estudada, mais tecnicista, que já era uma junção da própria forma e da aplicação de cor em temas que me interessavam, dar mais ritmo e mais corpo à própria pintura. Agora estou numa fase em que a cor é importante.

A primeira exposição surge quando?

Foi por brincadeira, estava eu no secundário. A Casa da Cultura, na altura, andava a passar uma crise grande e nós, alunos de arte no secundário, tivemos essa perceção. Decidimos então criar uma exposição entre amigos, não só de artes, e fazer uma exposição. Até correu bastante bem.

Depois de tantos anos de trabalho, qual é a peça mais antiga e que ainda guarda?

São várias. Os meus pais têm uma peça que acho horrível, que me farto de lhes dizer para tirarem da parede e que lá há melhores em casa. Foi uma das primeiras, um trabalho a óleo pequeno, de 50X80 cm, um estudo da anatomia humana. É um miúdo encostado a uma parede, com uns trapos, muito colorido e bem-disposto, que fiz andava no secundário.

Como acontece a distinção no “1º Prémio Jovem de Artes Plásticas”?

As Galerias Sacramento de Aveiro decidiram, juntamente com a parte cultural/política da Figueira da Foz criar a primeira edição de um prémio de pintura da região centro. Chegou aos meus ouvidos, concorri e conseguir ficar entre os 40 e tais artistas que estão a representar o trabalho deles. Tenho lá um. A exposição inaugurou a 17 de outubro e vai estar até dia 15 de fevereiro. Está muito bem montada, estão lá artistas com grande projeção no mercado nacional e internacional. Vale mesmo a pena lá ir ver.

O que é que lhe falta para se sentir realizado em termos artísticos, se é que ainda falta...

Sinto que estou no bom caminho. Gosto daquilo que faço e, mais importante ainda, há pessoas que gostam daquilo que faço, que se identificam com aquilo que faço e isso para mim é muito importante. Se eu parar, acho que vou deixar aquelas pessoas tristes e a perseguirem-me com “não tentaste o suficiente”.
 
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