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Independente de Cantanhede

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Rute Mota – Estou a desenhar uma linha só de materiais reciclados Imprimir e-mail
Escrito por Cátia Figueredo   
23-Jun-2010

Foi “por brincadeira” que no Natal de 2004 Rute Mota experimentou fazer pequenas peças de artesanato moderno para oferecer às amigas. A ideia de criar objetos que dessem “um toque mais colorido às roupas cinzentas” agradou desde o início às pessoas que a rodeavam, pessoas que a incentivaram de imediato a criar mais peças para vender.

A Rutilin - nome que adotou fruto da junção do nome Rute com o som do tilintar dos sinos – cria hoje peças de bijutaria diversas, desde os brincos, aos colares, pregadeiras e pequenas bonecas.

Desde 2008 que decidiu apostar mais a sério no artesanato, com a criação de mais peças e participação em Feiras de Artesanato.

A formação ao nível da arquitetura deu-lhe algumas bases para este trabalho artístico. O resto advém da paixão que confessa ter sentido desde sempre pelo colorido e até pelo mundo infantil. O resultado final, admite, são por isso objetos que não agradam a todos os tipos de público.

Peças divertidas e repletas de cor, feitas com feltro, missangas e muito brilho têm surgido ao longo dos anos pelas mãos de Rutilin. Mas a jovem de 34 anos, residente em Cantanhede, adiantou ao Independente de Cantanhede estar a preparar-se para uma nova fase no seu trabalho. Prevê que antes do próximo Natal já possa apresentar estas novas peças.

Sem um espaço ainda fixo para apresentar as suas obras, está contactável através do e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o JavaScript terá de estar activado para que possa visualizar o endereço de email .

Uma das grandes diferenças nos seus trabalhos passa pelos materiais que usa...

Não gasto muito dinheiro em materiais e reciclo muitas coisas. Gosto de reciclar e aproveito muitas coisas que andam lá por casa. Passo a vida a guardar “tralha”. A minha mãe também teve uma retrosaria e estava muito em contacto com feltros e esse tipo de materiais. Basicamente uso o feltro, missangas, arame. Não vai muito para além disso. E depois os materiais reciclados. Agora também estou numa fase em que estou a acabar esta linha. Estou um bocadinho farta, já se vê muito. Posso continuar com algumas coisas, mas quero partir para uma coisa mais séria. Diferente mesmo.

Diferente como?

Ainda está em fase de estudo, estou a desenhar uma linha que será só de materiais reciclados. Materiais que costumava usar nas maquetes. São mais plásticos, madeiras. Com mais design também. Sem ser tão artesanato. Já vai ser uma coisa mais estudada. Porque isto foi uma coisa que gostei mesmo de fazer. Quero levar este trabalho para outro patamar. Esta fase passou muito pelo experimentalismo.

E agora quer dar o “salto” para um trabalho mais profissional...

Quero, porque isto aqui já não me preenche. Já é sempre a mesma coisa. Nota-se mesmo um bocadinho, nas peças que fazia antes e nas peças que faço agora, que as outras acabavam por ser muito mais trabalhadas e dedicava-lhes muito mais. Agora, como tenho que fazer para vender, tenho de fazer mais quantidade e não quero perder a qualidade por causa disso. Por isso é que é melhor virar a página e passar para outro nível.

Em que é que se inspira para criar estas peças. São as pessoas que pedem uma peça com determinadas características?

Não. São os próprios materiais, a moda, a cor e depois é todo um mundo que gosto mesmo e que me inspira mesmo. É mesmo um mundo infantil...

Diz ter consciência que os seus trabalhos não agradam a todo o tipo de público. E as peças desta nova fase?

Vai ser diferente, mas pior ainda. Vai ser ainda mais restrito. Mas acho que em termos de projeção, que vai conseguir ter mais projeção, porque são trabalhos diferentes. Que não há mesmo.

No meio de tudo isto, onde está a arquitetura?

A arquitetura acho que foi um erro de percurso. Não acabei o curso, falta-me uma disciplina. Acho que não era mesmo o que queria.

Esta é a sua atividade a tempo inteiro?

Não. Neste momento estou desempregada. Faço mais peças, mas também faço trabalhos de arquitetura. Por isso é que queria apostar mais nisto, porque isto é que me dá realmente prazer. Mas tem sempre alguma coisa que posso aproveitar da arquitetura. Coisas que aprendi durante o curso. Mas mesmo durante o curso, acho que já era muito reveladora a diferença nas coisas que concebia em relação à cor.

Diz que é aqui que se realiza mais. Porquê?

Porque, para mim, não é sempre a mesma coisa. Estou sempre a explorar, a fazer coisas diferentes. Estou sempre a pôr novos materiais. Agora estou a começar a usar muito o tule, porque acho que dá aquela vida... Mas claro que há pessoas que não gostam. E eu não fico nada chateada por as pessoas não me comprarem. Gosto de mostrar o meu trabalho, gosto que as pessoas gostem. Só que tenho consciência que nem todos gostam. Aliás, nestas últimas feiras tenho umas bonequinhas que tenho de fazer mais e mais porque é o que mais procuram. E é para as miúdas de oito, nove, 10 anos, mas também para outras pessoas que têm ainda aquele toque de infantilidade e que gostam.

Os seus trabalhos chegam a pessoas de que idades?

Já ofereci peças a pessoas de 60 e tal anos e vi-as com elas. Acho que é dos seis aos 60.

Idealmente, qual era o papel que gostava que o artesanato tivesse na sua vida?

Gostava de poder viver dele. Gostava de poder fazer só isto e sobreviver.

Quais são as peças que mais gosta de fazer?

As pregadeiras, porque são sempre diferentes. Vou experimentando... São peças com um material muito rústico, que é o feltro, mas depois acrescento-lhe o brilho das missangas. Não fica uma coisa tão “rafeira.”

Mas porquê o feltro?

Porque o feltro, como base, é muito bom para colar. E porque tem muitas cores e é barato. É preciso uma base e o tecido é difícil. O feltro como base é óptimo, dá para fazer quase tudo. E não encarece tanto a peça.

 
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