À conversa com...
Bruno Domingos – O meu sonho é atingir o treino de alta competição no futebol
| Bruno Domingos – O meu sonho é atingir o treino de alta competição no futebol |
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| Escrito por Cátia Figueiredo | |
| 30-Jun-2010 | |
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Tinha apenas 10 anos quando entrou no mundo do futebol e desde então nunca mais abandonou o desporto. Bruno Domingos começou primeiro como jogador, no Clube de Futebol “Os Marialvas”. Jogava a médio centro ou lateral direito. Passa pela Seleção de Coimbra de sub 13, sub 14 e sub 15. Seguem-se dois anos no União de Coimbra. Dá-se depois o regresso ao Marialvas, no escalão de juniores, tinha então 17 anos, sendo algumas vezes convocado para os seniores do clube. É nessa altura que a entrada no curso de Ciências do Desporto e Educação Física, na Universidade de Coimbra, fala mais alto e opta por focar-se nos estudos. Já enquanto sénior havia ainda de passar mais tarde pelo Febres, Mealhada e Tocha. Terminou no BotaFogo, clube da sua terra (Cordinhã), onde fundou e treinou a equipa de iniciados durante duas épocas (2001 e 2002). Tinha cerca de 21 anos quando entra no mercado de trabalho e decide centrar atenções na carreira de professor e de treinador. Após 10 anos de serviço, com uma passagem pelo cargo de vice-presidente do Agrupamento de Escolas de Arazede, aos 32 anos concilia as aulas na Escola Secundária de Cantanhede, com os cargos de Coordenador de Futebol 11 e treinador de Juvenis A (campeonato nacional), na Académica de Coimbra, clube no qual já foi diversas vezes campeão, nos vários escalões de formação. É também coordenador de um ginásio da Junta de Freguesia de Cordinhã. Pelo caminho, fez uma pós-graduação como personal trainer e trabalhou um ano num ginásio em Lisboa. Como treinador, teve ainda uma experiência de um ano na escola de formação do Lyon, em França, em 1998, altura em que a França se torna campeã mundial. Foi aqui que concluiu a sua especialização de treinador de futebol, ao abrigo do programa Erasmus. Lembra-se do momento em que percebeu que queria seguir uma carreira ligada ao deporto? Desde os 10 anos que pratico desporto. Mas foi no secundário. Estava na área de saúde e sempre fui bom aluno. O meu pai gostava que eu fosse para medicina veterinária e, apesar de ter média para tal, na altura da candidatura coloquei desporto em primeiro - sem ele saber - e acabei por entrar na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra. Foi principalmente pela motivação e o prazer de praticar futebol e pelo interesse que já tinha noutras modalidades desportivas. Posteriormente surgiu a paixão pelo ensino das modalidades desportivas em geral e pelo treino/formação de futebol em particular. Quando refere um conjunto de treinadores que o marcaram no início da sua formação é porque via ali uma referência que queria seguir um dia? Sim. Quando entrei no clube “ Os Marialvas”, com 10 anos, tive treinadores que foram importantes, o senhor Maduro, o senhor Carlos António, o senhor Mário Rui, o senhor João Álvaro, o senhor Pinheiro e o senhor Fagundo. Muitas das características transmitidas por estes treinadores, que eu entendi serem bastante benéficas para mim, hoje tento imitá-las, tento aplicá-las. Acima de tudo, uma característica que acho importante num treinador de futebol é ter a capacidade de cativar. Para além de treinador, ser um verdadeiro amigo dos atletas. É na realidade o sentimento mais marcante que nutro por cada um dos treinadores que tive. Sente-se mais realizado enquanto professor ou enquanto treinador? Sinto-me realizado em ambos os papéis. Enquanto professor adoro dar aulas, adoro o ambiente escolar da Escola Secundária de Cantanhede. No entanto, confesso que o verdadeiro prazer ao nível desportivo está na essência de ser treinador de futebol. Essa sim faz-me sonhar para poder chegar ao alto nível. Trabalhando com crianças e jovens com idades tão distintas e com objetivos diferentes ao nível desportivo, como é que se motivam uns e outros? Ao nível da escola, o importante é que os alunos adquiram não só as competências dos programas, mas acima de tudo um gosto e uma autonomia desportiva para continuarem os hábitos de vida saudável no futuro. Muito mais do que ser exigente a nível técnico, penso que o fundamental é transmitir os valores de uma vida saudável, baseada no desporto. Já enquanto treinador é diferente... Enquanto treinador, acho que é fundamental, numa primeira fase, motivar as crianças e jovens para a prática desportiva, formá-los como homens e depois como atletas. No entanto, a partir da idade de especialização, que será por volta dos 15, 16 anos, o rendimento num clube como a Associação Académica de Coimbra (AAC-OAF), será uma predominância. Como treinador, o que se afigura mais ingrato, é ter de dispensar, a dada altura, jovens com um percurso de cinco/seis/sete anos no clube, com muito valor, perante os quais estabelecemos uma ligação mais emocional e afetiva do que desportiva. E na vertente de professor, qual é a parte mais difícil? Ser professor é uma atividade muito mais pedagógica. O principal objetivo é que os alunos tenham sucesso, não é necessário ganhar ao fim de semana. Não é tão exigente a nível competitivo. O mais difícil de entender são as burocracias e as formalidades que o Ministério da Educação impôs nas escolas, nos últimos anos. Já teve a experiência de trabalhar com crianças com necessidades educativas especiais. O desafio é maior para o professor ou para o aluno? Acho que é uma experiência caracterizada por uma simbiose de aprendizagens. A aprendizagem é, sem dúvida, mútua e todos os resultados, ainda que por vezes sejam bastante pequenos, são sempre uma vitória. Acima de tudo, acho que, para além de um desafio à minha formação, ao nível da afetividade e da sensibilidade, desperta-me para aspetos do trabalho com deficientes que me pareciam impossíveis de alcançar. Eles têm uma força e uma vontade inexcedíveis. Quer enquanto treinador, quer como professor, de que forma é que, os ensinamentos que lhes passa a nível desportivo, influenciam a vida deles? Influenciam bastante, nomeadamente na aquisição de hábitos de vida saudável, na convivência e vida social, na capacidade de trabalho em equipa, na superação de obstáculos que irão ter ao longo da vida, na autoestima e na realização pessoal. Qual é a próxima meta? Será continuar a desenvolver o meu trabalho na Académica. Desde que assumi o papel de coordenador de futebol, foi construído um projeto de formação inovador, diferente dos modelos tradicionais vigentes no panorama nacional, cuja génese surge a partir da experiência prática e de investigação desenvolvida ao longo de 10 anos, com o contributo de inúmeros treinadores de inegável conhecimento. Posso adiantar que este modelo deve a sua inovação a uma fusão de várias formas de analisar, perceber e treinar, adquiridas nas escolas de formação holandesa (Ajax), espanhola (Barcelona), francesa (Lyon) e portuguesa (FC Porto e Sporting). Em paralelo ao projeto surge, também, a criação do Gabinete de Optimização do Treino (GOT) que pretende, essencialmente, potencializar ao máximo, através de exercícios inovadores, incomuns na modalidade de futebol, as capacidades físicas de acordo com as idades, devidamente contextualizadas para a nossa forma de jogar. O projeto teve o contributo e a aprovação total do vice-presidente, Camilo Fernandes, do diretor-geral, Pedro Roma e a consonância do ex-treinador dos seniores da Académica, André Villas-Boas. Voltando à questão inicial, a próxima meta passa pela implementação e operacionalização a 100 por cento do modelo de jogo, comum a todos os escalões da AAC-OAF, que consubstancia os princípios de jogo, o modelo de treino, os conteúdos e as competências a adquirir por cada jogador no respetivo escalão. Sem, no entanto, esquecer o perfil de treinador que pretendemos para AAC-OAF. Realço ainda a qualidade do quadro técnico da instituição, cujos resultados falam por si, quer no âmbito distrital, quer no panorama nacional. E no futuro? No futuro quero atingir e vencer na alta competição, percorrendo todas as etapas. E conquistar, com toda a garra e conhecimento, as oportunidades que me esperam. Uma das minhas características é a determinação e confiança no trabalho que desenvolvo, sem esquecer o contributo daqueles que comigo o partilham dia-a-dia. Espero continuar a merecer a frase que alguém um dia utilizou, num blog, para me caracterizar: “A determinação também faz o campeão!” |
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